sábado, 24 de dezembro de 2011

In-soña


Vago noites e noites, butecos modestos,
 mentiras sinceras, eternas que chegam
                          as vezes me confortar.

começo citando a outras uns versos,
que era incertos, insanos, chorando,
                         amores para me dar.

Te odeio, te amo, não venha a porta
 aberta que chega, que grita, suplica,
                        que quer retornar.

Levanto chorando, com a cara num banco,
em pranto, em pranto você me chamando,
sorrindo, eu gamo em outro engano ,
                          e volto sem reclamar.

( Loreto,21/12/11)

domingo, 4 de dezembro de 2011

Vinte de Novembro-Feriado.



 
Victor nasceu em Urubá, Urubapitininga e depois foi para o país de San Paulo. Acorda cedo todos os dias ás 05h da manha para ser escravizado, alias, para trabalhar, pois hoje não há mais escravidão a pesar de andarmos amontoados nos ônibus todos os dias, pescoço com pescoço, tornozelos com tornozelos. Quando chega ao metro para cruzar a cidade é açoitado para dentro dos novos negreiros de ferro, que continua amontoado sem as angemas.
 Sempre se perguntava se não fosse o salário de fome que o sinhô lhe dá como gratificação, se não fosse os quatro filhos para criar, nem o carro que ele quer comprar, casa , roupas, se não fosse... Victor seria outro. Mas ele tem um Padrão bom que o deu trabalho.  Trabalho de quarenta e quatro horas por mês, sete dias por semana, sem folga, sem parada...senzala.
Quando volta para casa todos os dias ás 18h da tarde, volta amontoado nos ônibus todos os dias, pescoço com pescoço, tornozelos com tornozelos. Quando chega ao metro para cruzar a cidade é açoitado para dentro dos novos negreiros de ferro, que continua amontoado sem as angemas.
Mas é no domingão do Fausão que Victor se vê no espelho. Sua cor negra , segundo ele é igual do apresentador do BBeB( Bizarros, Barangas e outros Bichos) , que sempre o mostra de como e o que deve ser sua família e adestrar seus filhos. E lembra como é bom, como tem um patrão bom e como os atores  da imbecilizão são como ele quer ser.
Nada é por acaso. A história se repete. É preciso conhecê-la para não repeti-la.
                           ( Armando O. Pinto ) * Cronica extraida do Jornal Texticulos-Guarulhos

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Quem inventou o tempo?



Não me venha com prazos, datas e horários,
dividindo-o por vinte e quatro só me resta prazo,
dividindo por oito só me resta cansaço.

falta o prazer pela vida,
falta o prazer pelo amor,
falta o prazer pela dor.

Não me venha com prazos, esquecido por prazer,
não me venha com horários esperando o calvário,
não me venha com datas, acabo de perecer.

                      (Loreto, 16/11/11)

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Pela primeira vez.

 

Um sambinha, porque faz tempo que não posto nada.


" Se meu amor não regressar, irei também
À estação na hora de partir o trem.
E nunca mais assisto uma partida
Pra não lembrar mais daquela despedida."
( Noel Rosa )

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

PESSOA, F


O Universo não é uma idéia minha.
A minha idéia do Universo é que é uma idéia minha.
A noite não anoitece pelos meus olhos,
. A minha idéia de noite é que anoitece por meus olhos,
Fora de eu pensar e de haver quaisquer pensamentos,
A noite anoitece concretamente
E o fulgor das estrelas existe como se tivesse peso."
(Fernando Pessoa)

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

NACIONALISMO



 A Nação é um retângulo de pano
e uma música alegre.
A Nação é um esforço insano
com o qual um povo triste e pobre
encobre seus enganos
( IASI,Mauro)

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Mi vida eres tu


 " ando por calles esperando, que vengas alguna looooca,
mas loca... aunque como yo, alguién como yo"
    (Vanguart)

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

SÓN


Estreitos nós, éramos nós,
guardados em caixas,
enforcados em gravatas
perdidos a sós, éramos nós

Estreitos nós, éramos nós...

(Loreto,31/08/11)

terça-feira, 30 de agosto de 2011

(MUN)danças








Estou de mudança.
Levo assombrosas lembranças,
guardadas em malas sem esperança,
impondo futuros e vinganças.

me vejo em andanças.
sinto braços que me acalantam,
percebendo-os na dança,
mas por só olhar, me cansam.

Estou de mudança.
levando sonhos e sangue,
pedindo futuras lembranças,
guardados em malas distantes.

                   ( Loreto, 30/08/11)

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Dia a dia;



Acordo para tomar café e bebo Vinicius, 
que poe as xicaras ao modo Cecilia,
que tranquila distrai nos com Joao da Vila.

No almoço é Clarice que levanta Bandeira, 
para que Manoel trouxesse um disco de Noel,
que Gullar o devora perto da lareira.

De Tarde para noite, Rodrigues nos serve Ventura com bolachas,
para que como traças,Ubaldo devore as bolachas,
lembrando de Drummond e Scliar

Anoite é Lara Resende que me cobre, 
e dormente tenho sonhos com Holanda, que Sabino sabe que não sonho mais.
( Loreto,11/08/11)







sexta-feira, 29 de julho de 2011

Sexo em Moscou


Ricardo Cammarota



"Quando comecei a passear meus dedos
Pela sua marighelazinha já ficando molhada
Ela teve medo e recuou na resitência:
- Stálin! Stálin!
Mas depois deu uma olhada
Viu meu sputinik pronto a entrar em órbita
Exclamou feliz da vida:
- Que vara! Que vara!
- Que nikita mais krutschev!
Eu era o sessenta
Ela era lunática rainha lunik 9
Me sentia como se estivesse dando um cheque-mate
o próprio Karpov
E por não ser nem fidel e nem castro

Lambi sua rosa de luxemburgo
E a linda bolchevique geminha tesudinha:
- Ai língua de seda,
Maravilhosa,
Me lenine toda, meu bem
Me lenine toda,
Todinha!
Arranhava minhas costas com suas unhas de mil caranguejos
E sussurrava entre beijos:
- Marx! Marx!
E o colchão de molas rangia:
- Mao tse tung! Mao tse tung!
Me chamou de seu tesão
Maiokovsky do sertão
Engels azul do meio dia
Poeta do real
Sua fantasia
Olhou-me nos olhos e disse:
- Tú és o meu Brejnev!
E ficamos por um tempão
Deitados no colchão de neve
E nos amávamos
Esperando o intervalo
Entre uma e outra greve
Trotsky! Ela tinha uma bezerra gregoriana
Que deixava lamarcas
E quando o êxtase atingiu ao seu máximo Gorki
Quando estava prestes a acontecer um orgasmo dissidente
Sussurou rangendo os dentes
- Chove dentro de mim,
Chove, chove,Gorbatchev!"
 ( MANO MELO)

quinta-feira, 14 de julho de 2011

                                            " Cuba pinta a Guayasamín”,

Não é a beleza em si que te deixa bela,
é na sutileza da sua aparencia que esta a beleza.
Na carapaça verdadeira, cheia de delicadeza, que te vejo com firmeza,
 E  na sua preocupação é que faço a reflexão:
seriamos nós uma nova paixão?
 ( LORETO,Thiago)

muestramelos

                                                           ( Ricardo Cammarota)




Hacia tiempo que mi boca no via otra,
mas esta es otra boca que me encuentra,
pero, boca una boca que me "atormenta" y me flota.

He encontrado la lengua perfecta,
que es hecha para mi tormenta.

Flota como hoja en el cielo,
boca como poca  no rota,
toda bella como ninguna otra,

He encontrado en ti,
una muchacha loca, que me encanta.

     ( LORETO, Thiago 14/07/11)

domingo, 10 de julho de 2011

O Amor venceu a guerra

" O amor, o amor versus a guerra.
O amor, versus a guerra.....
E bem mais fácil, guardar rancor, e bem mais fácil que dizer que perdoou.
Da mais ibope, chama a atenção, mas faz mal pro coração."


domingo, 26 de junho de 2011

à nós!




"Fui assassinado.
Morri cem vezes
e cem vezes renasci
sob os golpes do açoite.

Meus olhos em sangue
testemunharam
a dança dos algozes
em torno do meu cadáver.
Tornei-me mineral
memória da dor.
Para sobreviver,
recolhi das chagas do corpo
a lua vermelha  de minha crença,
no meu sangue amanhecendo.

Em cinco séculos
reconstruí minha esperança.
A faca do verso feriu-me a boca
e com ela entreguei-me à tarefa de renascer.

Fui poeta
do povo da noite
como um grito de metal fundido.

Fui poeta
como uma arma
para sobreviver
                           e sobrevivi.
Companheira,
se alguém perguntar por mim:
sou o poeta que busca
converter a noite em semente,
o poeta que se alimenta
do teu amor de vigília
                   e silêncio
e bebeu no próprio sangue
o ódio dos opressores.

 Porque sou o poeta
dos mortos assassinados,
dos eletrocutados, dos “suicidas”,
dos “enforcados” e “atropelados”,
dos que “tentaram fugir”,
dos enlouquecidos.

Sou o poeta
dos torturados,
dos “desaparecidos”,
dos atirados ao mar,
sou os olhos atentos
sobre o crime.

Companheira,
virão perguntar por mim.
Recorda o primeiro poema
que lhe deixei entre os dedos
e dize a eles
como quem acende fogueiras
num país ainda em sombras:
meu ofício sobre a terra
é ressuscitar os mortos
e apontar a cara dos assassinos.
Porque a noite não anoitece sozinha.
Há mãos armadas de açoite
retalhando em pedaços
o fogo do sol
e o corpo dos lutadores.

Venho falar
pela boca de meus mortos.
Sou poeta-testemunha,
poeta da geração de sonho
                                      e sangue
sobre as ruas de meu país.

Sobreviveremos

 

 

Perdemos a noção do tempo.
A luz nos vem da última lâmpada,
coada pela multidão de sombras.
A própria voz dos companheiros tarda,
 
como se viesse de muito longe,
como se a sombra lhe roubasse o corte.
Nessa noite parada sobrevivemos.
Ficou-nos a palavra, embora reprimida.
 
Mas o murmúrio denuncia que a vitória
não foi completa. Dobra o silêncio
e envia o abraço de alguém
cujo rosto nunca vimos e, todavia, amamos.
 
Nessa noite parada sobrevivemos.
Sobreviveremos.
Ficou-nos a crença, de restocujo rosto nunca vimos e, todavia, amamos., inestinguível,
na manhã proibida."
 Nessa noite parada sobrevivemos.
Sobreviveremos.
Ficou-nos a crença, de resto, inestinguível,
na manhã proibida."
 ( PEDRO TIERRA, O PRÓLOGO)

sábado, 25 de junho de 2011

Sueños


As bocas na qual percorro, são as mesmas que não a encontro,
vario entre as mais abertas, que sugam até a alma,
ás mais fechadas que por sorte não me trazem trauma.
Vejo em diversas moças que talvez te encontraria ,
tentando vou me enganando, e sussegando.
Para que um dia eu encontre aquela que em sonho me atormenta,
 e tenta  nos mesmos sonhos que eu não sonhe.
    (LORETO,Thiago/24/06/11)

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Enquanto isso


Foram breves os galhos dos seus braços que me arborizaram,
Foi seu corpo quente que me segura entre  linguas geladas,
Na estrada,
o correr do autobus, atrapalhava o nosso sonhar,
e sonhando, vi em pequenos detalhes,
a realidade da filosofa se arborizar em outro.
     (LORETO,T;24/06/11)

terça-feira, 21 de junho de 2011

Considerações finais



Ao aportarmos nas considerações finais da presente pesquisa, consideramos que o fenômeno dos bolivianos é resultado do processo histórico que consolidou o Neoliberalismo na Europa, na América Latina e no Brasil. Buscamos com esta pesquisa trazer uma síntese de como se constitui este processo na cidade de São Paulo e como o neoliberalismo influiu e influi para a precarização da venda da força de trabalho em todos os aspectos, dando enfoque a venda da força de trabalho dos bolivianos na cidade de São Paulo.
Dialogamos com autores que trouxeram uma perspectiva de como era e continua sendo a situação dos países que passaram por tal projeto, vendo na Bolívia à máxima precarização da venda da força de trabalho, onde a média de vida de um trabalhador boliviano que começa a trabalhar em uma mina de carvão com dezoito anos é de no máximo quarenta e cinco, tendo sérios problemas pulmonares em decorrência das condições de trabalho.
Ao analisarmos o Brasil, observamos a adoção do projeto neoliberal, pelos governos de Fernando Collor e Mello e, posteriormente de Fernando Henrique Cardoso, que, como todos os países da América latina, trataram de privatizar a empresas estatais, vendendo-as para multinacionais e empresários brasileiros – muitas vezes com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Nacional – com o discurso de que era para o bem e salvamento do país da miséria. Aumento do desemprego em decorrência das novas tecnologias implementadas, perda dos direitos trabalhistas inseridos na Constituição de 1988 e desmobilização dos movimentos sociais e operário. Ou ainda, como nos mostra NETTO (2006):

Justamente essa metamorfose está na base do conjunto de extraordinárias mudanças que sustentam o “mundo novo” – alterações no proletariado, no conjunto dos assalariados, na reconfiguração da estrutura de classes, nos sistemas de poder, enfim na totalidade social que é constituída pela sociedade burguesa [...] A ofensiva do capital, no processo da sua mundialização, não resultou apenas na criação do maior contingente histórico de desempregados, subempregos e empregados precarizados e na exponenciação da “questão social; nem o anverso do “pós-fordismo” é somente a restauração de formas de exploração de homens e mulheres que o próprio capitalismo parecia ter superado. (2006, p. 237)


Quando abordamos os sujeitos de nossa pesquisa, conhecemos, por meio de suas falas – assim como de textos de outros pesquisadores do tema - as confecções empregadoras dos bolivianos. Contatamos, então, a superexploração pela qual são submetidos, recebendo salários de fome, dormindo e comendo no mesmo local do trabalho e, consequentemente, devido as condições precárias de trabalho – nas quais devem manter fechadas portas e janelas para que os vizinhos não ouçam o barulho das máquinas e denunciem sua ilegalidade e/ou a ilegalidade da empresa à polícia - desenvolvendo doenças respiratórias. No entanto, o discurso dos nossos sujeitos também expressa a questão dos ganhos nas referidas confecções e a ideologia do consumo, ainda que vivam em condições infra-humanas. Consideramos, contudo, as condições nas quais a maioria dos bolivianos vivia em seu país de origem e o sonho que os trazem às confecções paulistanas.
Entendemos que a hipótese da pesquisa, na qual sugeríamos que a oferta de trabalho e “salários gratificantes” para os bolivianos constitui-se no principal motivo para a migração dos mesmos para São Paulo, se mostra verdadeira. Esperamos, com a nossa pesquisa, contribuir para o debate do fenômeno dos bolivianos, associando-o à estrutura capitalista e a necessidade urgente de sua transformação.

domingo, 12 de junho de 2011

Budapeste.


" foi na batata da perna de Teresa que escrevi as primeiras palavras na língua nativa. No princípio ela até gostou,ficou lisonjeada quando eu lhe disse que estava escrevendo um livro nela. Depois deu á ter ciúme, deu para me recusar seu corpo, disse que eu só a procurava a fim de escrever nela, e o livro já ia pelo sétimo capítulo quando ela me abandonou. Sem ela, perdi o fio do novelo (...) Passava os dias catatônico diante de uma folha de ppapel em branco, eu tinha me viciado em Teresa. Experimentei escrever alguma coisa em mim mesmo, mas não era tão bom, então fui a Copacana procurar putas. Pagava para escrever nelas, e talvez lhes pagasse além do devido, pois elas simulavam orgasmos que me roubavam toda concentração(...) Passei a assediar estudantes, que ás vezes me deixavam escrever nas suas blusas, depois na dobra do braço, onde sentiam cócegas, depois na saia, nas coxas. E elas mosntravam esses escritos ás colegas, que muito os apreciavam, e subiam ao meu apartamento e me pediam que escrevesse o livro na cara delas, no pescoço, depois despiam  a blusa e me ofereciam os seios, a barriga e as costas (...) Moças entravam e saíam da minha vida, e meu livro se dispersava por aí, cada capítulo a voar para um lado. Foi quando apareceu aquela que se deitou em minha cama e me ensinou a escrever de trás para diante. Zelosa dos meus escritos, só ela os sabia ler, mirando se no espelho , e de noite apagava o que de dia fora escrito, para que jamais cessasse de escrever meu livro nela..."
       ( José Costa, o Ginógrafo )

quinta-feira, 26 de maio de 2011

El te espera llegar




Fue aya donde los santos son negritos,
donde el agua es mas brasileña, que mi pensamiento esta hoy.

Aya donde los lusitanos oyeron muchas playas bellas, como las Grecas,

Hoy mi pensamiento intenta te traer luego,
porque mi corazion tienes miedo que le olvide

sábado, 21 de maio de 2011

Balada do céu negro

"...pra onde vão desejos?
palavras sem razão?
Pra onde vão palavras?
versos ao vento vão"

quarta-feira, 18 de maio de 2011

domingo, 15 de maio de 2011

IMPUNEMENTE

(Ricardo Cammarota)



" O dia amanheceu impunemente, mas o vento sabia.
  No mercado os índices suicidas se jogam das tabelas
  enquanto o presidente encosta a arma na boca,mas não se decide...
  convoquem todas as tropas: está solto meu id.
 
  Não sei por onde escapou, por quais
  alçapões, paredes falsas,
  trilhas na mata, por qual vereda deserta, em qual quilombo,
  por qual labirinto, por qual janela, em qual jangada,
  pelos olhos de quem.... pelo corpo de que amada?

  Estava ali,triste e preso como sempre....
  ainda ontem lhe neguei um beijo,
  ainda ontem pedi que esperasse,
  ainda ontem lhe disse que não era hora...

 Estava inquieto, é verdade...pressentia.
 Para acalmá-lo li os horários dos vôos,
 marquei reuniões,expliquei a importância do trabalho,
 pedi que medisse seu desejo pelo tamanho do salário.

 Meu id está solto...
 não levou relógio, esqueceu a agenda,
 não levou roupa, não pagou as contas,
 esqueceu de dormir e de comer...

No Conselho de Segurança o
medo brota...
F18 hornets entram em vôo cego.
Sete Estados mobilizam suas frotas
em auxílio ao meu pobre superego.

O Pentágono e o Papa vacilam
 entre a bomba e a culpa
 e nas fábricas paradas, os operários que tudo faziam
 decidem produzir orgasmos no lugar
 de mais-valia."
  (IASI,Mauro)

terça-feira, 10 de maio de 2011

O último por do sol

Eu gosto muito deste som e como não estou com idéias para escrever a trilha sonora das correrias são estas nas horas vagas.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Shot delicado


 Quem dera meu shot ser teu xote,
  e em pequenas canções, faria da dança uma lembrança
  transformando momentos em fabulas,
  monstrando  que o inferno também é céu.
            ( LORETO, Thiago;02/05/11)

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Á Ela


Esbanjam se em seis anos de amizade,
criatividade sempre foi seu forte,
mostrou se madura sempre que pôde,
e quando não, não se mostrou.

Floreceu a mulher/menina,
parecendo sempre uma adulta
e adultera, roubou coração e plantou contradição.

Em direção,
viveu, chorou e sofreu
e em plena vida de dever, criou outra vontade de viver:
nascerá então, Alice, mulher como você.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Outros sonhos


"Soñé que el fuego heló
Soñé que la nieve ardía
Y por soñar lo imposible, ay, ay
Soñé que tú me querías "

terça-feira, 26 de abril de 2011

Ai Se Sêsse

                                                                 ( Projeto Tsunami)
"Se um dia nois se gostasse
Se um dia nois se queresse
Se nois dois se empareasse
Se juntim nois dois vivesse
Se juntim nois dois morasse
Se juntim nois dois drumisse
Se juntim nois dois morresse
Se pro céu nois assubisse
Mas porém acontecesse de São Pedro não abrisse
a porta do céu e fosse te dizer qualquer tulice
E se eu me arriminasse
E tu cum eu insistisse pra que eu me arresolvesse
E a minha faca puxasse
E o bucho do céu furasse
Tarvês que nois dois ficasse
Tarvês que nois dois caisse
E o céu furado arriasse e as virgi toda fugisse"
         ( Zé da Luz)

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Uma razão a mais para ser anticapitalista

Bom,
 Trago essa poesia para mostrar que não é Marx, não é (d)eus, nem nada que me motiva, mais  sim uma vida melhor para todos e não um desenvolvimento pessoal, pois como dirá o Boca Aberta, não é ser individuo individual, mais um individuo coletivo. Um mundo, onde caibam muitos mundos, sempre

(Projeto Tsunami)


Te amo
e odeio tudo que te deixa triste.

Se o mundo com seus horários e famílias
e fábricas e latifundiários e missas
e classes sociais, dores e mais -valia
e meninas com hematomas
no lugar de sua alegria

insiste em te deixar triste,
apertando sua alma
com suas garras geladas,
teremos,então, que mudar o mundo.

Nenhum sistema que não é capaz
de abraçar com carinho a mulher que amo
a acolher generosamente minha amada classe
é digno de existir.

Está, então, decidido:
Vamos mudar o mundo,
transformá-lo de pedra em espelho
para que cada um,enfim, se reconheça.

Para que o trabalho não seja meio de vida
para que a morte não seja o que mais a vida abriga
Para que o amor não sema uma exceção
façamos agora uma grande e apaixonada revolução.
 ( IASI, Mauro)

.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Sem descrição. Cada dia que passa varias duvidas são sanadas e sempre que acho que sei, um outro " sei " gera outra dúvida que faz esse movimento complexo, faz essa uniao de contrarios. Forma-se uma dialética.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

In Lak'ech Ala K'in ( eu sou outro você eu sou você, e você é eu )



Eu sou outro você,
Mas não outro,
Sou você e eu,
Eu e você sou eu

Um outro você sou eu,
Eu sendo você sem eu,
você sendo eu sem você,
você sou eu, sendo nós,

todo você agora sou eu,
eu não sou você sem eu,
E-U-S-O-U-O-U-T-R-O-V-O-C-E.

Como dois estranhos.



Varios são os corpos que não te encontro,
diversas são as bocas a qual percorro.
Romperam-se as correntes que nos juntavam,
Ficaram livres dos calcanhares de Akiles.

Os dias passam como loucos ensadecidos,
divide-se em minutos,
Divide-se
sim, nos divide.
(Loreto,Thiago)

domingo, 17 de abril de 2011

Sua voz no poema.



Sua voz no poema
faz do poema sua voz,
faz de sua voz poema.

Transforma cada palavra
num pássaro com asas de seda
e penas de lábios

que voa desde seus abismos
até meus ouvidos invadidos
pela língua das imagens.

Recebo minhas próprias palavras
como minha alma exilada
que retorna molhada da sua.
        ( IASI, Mauro)

sexta-feira, 15 de abril de 2011

-Batatinha fresquinha só um real!



Passando pela estação do Tucuruvi ouvimos  algumas palavras que perpassam aos ouvidos e não passam despercebidos para o cerebro, reflexões não deixam de ser feita. Quando ouvimos :
" -ó o quebra queixo!!
“-batatinha fresquinha,somente um real!”
“-CuriiiiiiinCurrrrin!!!”
Esses são um dos muitos que estão pela cidade, alias pelo mundo,vendendo sua força de trabalho p-r-e-c-a-r-i-z-a-d-a-m-e-n-te.  São várias as hipoteses como podemos colocar aqui, mas como disse o nome ilustrissimo FHC o trabalho acabaria( só se for para ele) Por que muitos de nós estamos aqui se fudendo por 8 horas á 12 horas por dia, por um salário de fome.
O trabalhador busca outros modos de vender sua força de trabalho com horários diferentes para ganhar o que ganharia trabalhando em um único local, gerando assim um crescimento contínuo de desemprego, pois logo se um trabalhador que trabalhava 8 horas por dia passa a ter dois empregos com horários flexíveis e com salários diferentes, passa a ocupar cargo de outro trabalhador, além do mais deslegitima os direitos trabalhistas conquistados a partir da implantação do Welfare State [1][1]no mundo.
Braz e Netto nos descrevem tal transformação:

“... Todas as transformações implementadas pelo capital têm como objetivo reverter a queda da taxa de lucro e criar condições renovadas para a exploração da força de trabalho (....)mediante a terceirização de atividades e serviços e submetidos a condições de trabalho muito diferentes das oferecidas áquele núcleo- alta rotatividade,salários baixos,garantias diminuídas ou inexistentes.”(BRAZ,Marcelo;NETTO,Jose Paulo;pg.218-219, 2009)

 Além da precarização do trabalho formal á venda da força de trabalho passa a ser diferente. Os empregadores passam a solicitar trabalhadores com qualificações altas, que tenham capacidades de participar de diversas atividades, exigindo outras formações, cursos de especialização para uma única função. Além disso, trazem a participação dos mesmos, utilizando de equipes de trabalho, modificando assim  a terminologia “empregados” para “colaborados”, ou “cooperadores”, usando a concepção, ou uma falsa consciência[2][2] como um “quase” dono da empresa. Tal recurso traz uma nova dinâmica para venda da força de trabalho, trazendo grandes modificações do modo Taylorista- Fordista [3][3]para uma forma renovada no neoliberalismo.

 Segundo Braz e Netto as mudanças na venda da força de trabalho:

   “... essa força de trabalho deve ser qualificada e polivante(...)O capital empenha se em quebrar a consciência de classe dos trabalhadores: utiliza-se o discurso que de que a empresa é sua “casa” e que eles devem vincular o seu êxito pessoal ao êxito da empresa;não por acaso,os capitalistas já não se referem a eles como operários  ou empregados- agora, são colaboradores,cooperadores, associados...” (BRAZ,Marcelo;NETTO,Jose Paulo;pg.217, 2009)

Contribuições feitas. Essas são algumas das argumentações da minha monografia á respeito da superexploração dos trabalhadores bolivianos em São Paulo. Mas para antes  falar nos Bolivianos, damos um apanhado mais histórico sobre a venda da força de trabalho no mundo e na AL.  E para finalizar, colocaria um trecho da música do GOG, que retrata muito bem o que se passa
                “... Seu pai faxineiro lava banheiros, salários mais gorjetas de terceiros, de quebra faz um bico revendo jogos feitos numa lotérica. Sua mãe com mais de sessenta ainda trabalha de doméstica e assim se completa a renda da família, salários mais gorjetas bico aposentadoria, somando tudo da à certeza de lutar por dias melhores...” (GOG/Genival Oliveira Gonçalves)




quinta-feira, 14 de abril de 2011

LO QUE PASA

"Yo te entregué mi sangre, mis sonidos,
mis manos, mi cabeza,
y lo que es más, mi soledad, la gran señora,
como un día de mayo dulcísimo de otoño,
y lo que es más aún, todo mi olvido
para que lo deshagas y dures en la noche,
en la tormenta, en la desgracia,
y más aún, te di mi muerte,
veré subir tu rostro entre el oleaje de las sombras,
y aún no puedo abarcarte, sigues creciendo
                                                       como un fuego,
y me destruyes, me construyes, eres oscura como la luz."
                           Juan Gelman

quarta-feira, 13 de abril de 2011

AI VEM O NOVO...


"Eu estava sobre uma colina e vi o Velho se aproximando, mas ele vinha como se fosse o Novo.
Ele se arrastava em novas muletas, que ninguém antes havia visto, e exalava novos odores de putrefação, que ninguém antes havia cheirado.
A pedra passou rolando como a mais nova invenção, e os gritos dos gorilas batendo no peito deveriam ser as novas composições.
Em todas as partes viam-se túmulos abertos vazios, enquanto o Novo movia-se em direção à capital.
E em torno estavam aqueles que instilavam horror e gritavam: Aí vem o Novo, tudo é novo, saúdem o Novo, sejam novos como nós! E quem escutava, ouvia apenas os seus gritos, mas quem olhava, via tais que não gritavam.
Assim marchou o Velho, travestido de Novo, mas em cortejo triunfal levava consigo o Novo e o exibia como Velho..."
          ( Brecth, B )

domingo, 10 de abril de 2011

AS VEIAS MAIS QUE ABERTAS DA AMERICA LATINA



“A névoa é o véu da Selva. Assim ela esconde seus filhos perseguidos. Da névoa saem, á névoa voltam: os índios de Chiapas vestem roupas majestosas , caminham flutuando, calam ou falam caladas palavras. Esses príncipes, condenados á servidão, foram os primeiros e são os últimos. Foram expulsos da terra e da história e encontraram refúgio na névoa e no mistério. Dali tem saído, mascarados,para desmascarar o poder que os humilha.” (GALEANO,E)

A questão da identidade indígena, de um movimento social organizado, pluriético de que não lutam por uma separação de mundo mais sim um mundo onde caibam muitos mundos, lutando por respeito, dignidade de todos que são excluídos  e desprezados, ,pelas mulheres , pelos jovens, pelas crianças, pelos homossexuais e lésbicas , pelos deficientes, enfim, por  todas as minorias exploradas pelo capitalismo. São Herdeiros direto da história de revoltas no México tanto no novo modelo de sociedade como no modelo pré colombianos, onde tribos indignas foram eliminadas.
O Estado de Chiapas é o mais pobre de um México já pobre, de toda a energia elétrica produzida no México, 55% vem deste Estado e aqui produz 20% de toda energia elétrica do país, entretanto, um terço das moradias Chiapanecas tem luz elétrica. Vemos que a má distribuição de renda é fenômeno dilacerador no México, não só no México, mas no mundo todo. Vemos o tão quanto o capitalismo em sua forma madura é perverso, onde uns tem muitos outros tem poucos ou nada.
Os programas sociais mexicanos, como o pronasol, ou outros desenvolvidos pela ONU e outros Órgãos Internacionais, procuravam na verdade desativar ou apaziguar o que alguns sociólogos chamavam de “Bomba Chiapaneca” ou “Bomba Social” que não demorou a explodir, como citei em parágrafos acima sobre a aparição do EZLN.  Como os proprios habitantes agora zapatista disseram : “(...) tivemos de nos revoltar porque não nos deixaram outra saída . Tentamos nas organizações controladas pelo governo, depois passamos ás organizações independentes , mas só com isso só ganhamos torturas, assassinatos, prisões, desaparecimentos. Foi isso que nos levou a empunhar os nossos chuços como costumávamos dizer, e as poucas armas que tínhamos”
Desde que o mundo é mundo, houve a exploração do homem pelo homem,  a partir do descobrimento das Américas onde o colonizadores dilaceraram o índios , exploraram suas terras, trabalho e dignidades. O índio nunca se recusou a lutar pelas suas terras. A história se repete só se mudam os protagonistas, primeiros foram os índios, depois os camponeses, depois os operários e agora os índios novamente. A partir da globalização dos mercados  e do neo liberalismo junto a queda do muro de Berlim, faz com que acreditemos que a utopia acabou,mas como mesmo disse o filosofo “ que transformação social na historia do mundo não foi utopia n véspera? NENHUMA. O exercito Zapatista é isso, a utopia que deu certo, o sonho que não foi só sonho, o mesmo que levanta   uma bandeira escrito” YA BASTA” por todas as minorias e a construção de um mundo onde caibam muitos mundos.