sexta-feira, 25 de setembro de 2015

sal da terra

                                             ( não tenho certeza, mas acho que é Bansky)


desterrado
da própria terra.

oriente medo.
média preocupação
estrangeira,
mede o  comportamento
dos imigrantes,
ideia de idade média.

separam os corpos em fronteiras,
dividem os socos que tomamos nas trincheiras
e a gente? a gente assiste.
assiste do Datena
mais um preto pobre periférico morto
e o povo aplaude
mais um preto pobre periférico morto
e o povo aplaude.

mas chora a morte do menino morto na fronteira.
- era tão lindo, roupinha vermelha, pele branquinha.
- ( malditos vermelhos! que morram todos!)

desterrados
Da própria terra.
do Capão ao Afeganistão
a massa segue sendo amassa...da.



sexta-feira, 3 de julho de 2015

div(ar)gando


Ainda bem que estou vivo
pelo menos por mais um dia vejo seu sorriso
pressinto o suspiro quando você chega e sinto
sinto  muito,
quando você sai e levas consigo o que ainda não consigo expressar

Ando pela rua procurando o que só acho contigo,
em pileques e fumaças a desgraça que a cara não consegue esconder
meus pensamentos remoem trairás  me levam sempre a você,
O tempo passa (ou tenta passar) a perna enquanto espero o sono chegar e passar.
Sopro na rua uma gaita triste, todos me olham, mas não vê,o que eu não consigo esconder,
do outro lado da rua mais um mendigo que o gringo nem ousa olhar,
e tira fotos para um dia alguém mostrar, um tipo de safári, que busca aqui encontrar.

Ainda bem que estou vivo e você está comigo, não aqui, não hoje, mas comigo
o cheiro da fumaça me embriaga, você me abraça, a calçada da praça cheia de corpos vazios
enquanto o pavio pronto para estourar não estoura, a televisão monta a sua versão
que mais consegue complicar e comprar a população que nada tem a vender,
a não ser sua força de trabalho, que ainda tentam privatizar,
o menino no farol que pede trocados nos carros e recebe gestos negativos pelo vidro claro,
o fone de ouvido abafa o choro da criança que passa no colo da mãe sem esperança,
o mundo com sua deselegância , sua ganancia e tudo que não nos deixa viver,
paro e respiro pela megalópole mais desigual da América latina a retina perplexa me vem a visão de você.
 Ainda bem que estou vivo e consigo lembrar do seu sorriso.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

saludos



Quando fui apresentado
ao fardo sujo da cidade
você me fazia alarde

Erguíamos as taças,
e qualquer praça
 era graça para
a gente celebrar

quando o marxismo
deixou de ser só mais um `”ismo”,
era você ainda que mostrava
alguns caminhos

ai veio o Partido
separando e repartindo
ensinando e desconstruindo
tudo que já havia aprendido

Hoje ,quase casado
e sonhando com  filhos
ainda que distante ,
estou sempre contigo, amigo.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

estações


seus olhos verão
que o brilho não cansa de irradiar
boca de paixão
de uma primavera
floreadas de cores,
onde as dores
não ousam avançar

de inverno a outono
de primavera a verão
nenhuma estação
acompanha o " tun tun"
que você provoca
 no meu coração.

( Loreto,Thiago - 22/05/15)

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Te esperando


                                       
te esperando
preparo um banho
com água ou de língua
de escrevo uma poesia
e sonho teus sonhos
em sintonia.

te esperando
beijo uma boca que ainda,
não chegou
só de pensar que campainha tocou
meu coração pula
da saudade que apertou.

ah, te esperando chegar!
sentir seus suspiros,
ver seu sorriso,
e apagar esse fogo
que só você sabe sanar.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

divisão



de um lado do muro
piscina
cerveja e
caipirinha

do outro oração
fome e desilusão.

enquanto houver muros
daremos murros em ponta de faca
desvendaremos as farsas
que  a mídia ousam vendar.

enquanto houver lados dos muros
apontaremos o futuro numa foice
e com martelo derrubaremos os muros
para com os tijolos forjamos outro mundo.
         ( Thiago Loreto/22/0515)

quarta-feira, 22 de abril de 2015

as estrelas



com os pés no chão e a cabeça nas estrelas
sonho e luto por uma verdadeira estrela vermelha
que só apague com o fim das sinhá e dos sinhô

com os pés no chão e a cabeça nas estrelas
ouso arte , sinfonias.
abraço  a rebeldia  das ruas
e escrevendo poesias noturnas.

ah!! As estrelas e o chão!!!
quem sabe um dia
vocês se abracem
e pintem esse mundo sujo
cor de sonhos e solidarização
Pra quiçá gritarmos um dia juntos Revolução.
 ( Thiago Loreto/21/04/15)