quinta-feira, 5 de junho de 2014
apresse a prece
mastiga
tua vida.
engole
sem saliva
a imposição.
ponha
teu cabresto.
veja
o mundo avesso
pro patrão.
cospe
em tua vida.
sangra
ferida viva
da exploração.
tua vida.
engole
sem saliva
a imposição.
ponha
teu cabresto.
veja
o mundo avesso
pro patrão.
cospe
em tua vida.
sangra
ferida viva
da exploração.

quinta-feira, 8 de maio de 2014
criança de prata
criança
de
prata
comida
que falta
no
prato
na pátria
joga alto
os pinos
falta no
ensino
pra
comida
comprar
escorre
no pranto
o engano
da
vida
que
tanto tira
quanto dá
* inspirado no conto da escritora Virginia B no jornal dialética edição de maio.
terça-feira, 6 de maio de 2014
soneto da migração
João sonhava em ser(tão) grande
veio para São Paulo lugar distante
procura trabalho diferente de ser(tão)
sonhava com um dia dar comida pros irmãos.
João quando saiu nada sabia.
encontrando aqui o que não queria
ser(tão) maltrato é o que acontecia
ser(tão) discriminado não entendia.
João não mais queria essa vida
por ser(tão) mal falado não entendia
sonhava em voltar ser(tão)
então pensou João por que não?
volto pra casa com vontade
cheio de saudade de ser(tão)
(Loreto/Thiago)
segunda-feira, 5 de maio de 2014
ser(tão)
sofro
pela fome
pela luta
de ser(tão)
grito alto
pelo fato
e indiferença
ao ser(tão)
ser(tão) grande
ser(tão) sofrido
ser(tão)vasto
falta tudo em ser(tão)
sobra nada em ser(tão)
só saudade de ser(tão)
(Loreto,Thiago)
domingo, 27 de abril de 2014
um dia pra não esquecer
queria lhe dizer muitas coisas
mas minha boca foi calada,
entre a calada da noite e o amanhecer.
perdendo o sorriso que um dia ousei ter.
sorria para um novo mundo,
que ria do velho que um dia foi
que difamou a solidão,
para abraçar a coletivização
queria lhe dizer muitas coisas
mas o açoite me procura,
tirando meu sorriso,
sonhando minha tortura.
tentei lhe dizer muitas coisas
mas hoje não digo mais nada
minha voz foi calada,
por autoridade e procuração
mas isso hoje não importa
outras vozes virão.
(Loreto,Thiago 25/04/14)
* para os camaradas do Sarau Comungar que ousaram tocar da ferida com poesias sobre a ditadura
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