segunda-feira, 3 de novembro de 2014

poema da cidade.


                                                              (artista desconhecido)

quanta solidão na multidão
conectada ao nada
no vagão do metro lotado
de uma vida amarga.

qual perfume tem essa fumaça
que abraça as praças de concreto?
aqui onde a  máquina é amiga
e o ser humano seu estranho.

paro e olho a maior metropole
que o progresso criou
neste momento os poetas choram.
                 (31/11/14)

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

ao contrário




pintei uma poesia
no quadro dos seus olhos
ensaiei melodias quando
tocava sua lingua na minha.

esboçei mapas e plantas
no seus quadris,
procurando me perder
antes do meu corpo arder em você

berrei em silêncio
no pé do seu ouvido
pedindo para ver
aquele seu sorriso.

em frenesi constante em ter
despertei do sonho
que é fazer amor com você.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

enquanto você fala




                                                Steve Buscemi


enquanto você sorri
me perco em sua boca
abrindo e fechando
como janela mirando horizonte.

enquanto você fala
o tilintar do som
me faz esquecer
tudo aquilo
que queria explicar.

escrevi agora esse versinho
para não esquecer
o que minha boca
não pode lhe dizer.
 (17/09/14)

terça-feira, 9 de setembro de 2014

um trabalhador morreu





não hastearam bandeira
não houve salva de tiros
só se ouviu os berros dos filhos
que choravam pelo pai perdido.

não importa se vendia pinos ou seguros
se era assalariado ou proletário precarizado
importa que os tiros não foram no escuro
mas disparados pelos cães do Estado moribundo.


não houve greve nem piquetes,

as máquinas ao menos pararam
pelo trabalhador assassinado
na zona  norte de São Paulo






* Para o trabalhador que foi assassinado na Zona Norte de São Paulo pelo Estado Fascista. Foi morto  por estar vendendo água na bienal do livro e  nãos quis entregar a mercadoria pra policia.







o que restou


Depois de entornar o copo
o corpo logo caiu e
de
rra
mou
.
o que da vida restou
 ( 08/09/14)





                                           (Viktor Oliva(1861/1928 - O bebedor de absinto)

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Um em quatro

                                                        ( Sofia, M)

a primeira vez que li Pessoa,
era ele só Fernando,

uma hora era um, outrora outro.

como podia, ser ele tantos.

 hora era  Ricardo.
centrado e bucólico
cheio de razão,
procurava calma ou ilusão

outrora Alvaro que de campos
nada tinha , falava do futuro
não cabia ser desse mundo.
faltava Aberto, esse sim era campos,

pensava  na sua vida e de outros quantos.
não deixava de ser ele, mas era outro.
uma hora Pessoa, outrora era tantos.