quarta-feira, 29 de junho de 2016

quando te conheci



Quando te conheci, quer dizer
quando te vi
você não me viu
a terra parou de rodar
Cronos falhou
na tarefa do tempo controlar
e só eu...só eu via você.

Quando de fato você me viu
Órúnmílá sorriu
diante daquela sorriso que se abriu
quando meus olhos
encontraram os seus
e as coisas voltaram ao seu lugar
e a terra voltou a rodar.

inspiração






A inspiração acabou
levado pelos jornais  cheios de sangue
levado pelo sonho distante
pelo não passo "adelante"
que o comandante Che nos falou.

A inspiração acabou
depois que o muro caiu
depois que a "classe dormiu"
e a poesia recolhida não persistiu

A inspiração acabou
o poeta... o poeta ainda escreve
sentindo a dor do mundo
que ainda espera
a inspiração voltar.

sábado, 4 de junho de 2016

cai arvore, chuva e gelo, mas as contam só sobem



São Paulo é um loucura mesmo. Não é atoa que a faxineira terceirizada da empresa terceirizada de deslocamento de cargas diz que São Paulo é a terra do chove mas não molha. Como é que pode chover todos os dias da semana e faltar água pra tomar banho depois do trabalho? Ainda no mesmo    raciocínio ela sentencia: funciona como o meu salário que cai na minha conta e vai direto para as contas, as vezes sobra uma merreca pra cervejinha com  as amigas no forró de sábado.
Passando correndo pelo metro Anhangabaú indo para rua abolição vi um policial  ou guarda do metro não sei ao certo qual era, os dois usam roupa cinza, tipo de lixeiro( com todos respeito aos lixeiros), os homens de boina e cinza andam como ratos nas ruas, as vezes lento ou rápido e se chegar perto da viatura eles mordem. Mas sobre o que eu estava dizendo mesmo? ah, sobre quando passava correndo pelo Anhangabaú. Pois então, aquela região cheias de gente,prédios,peso e cimento, não sei como não cai. E uma arvore brotada da terra cai. Acho que são assim como eu, cansadas, elas quietas observam os impostos subindo...subindo e para ser diferente ou se vingar daqueles que não se rebelam diante a isso elas caem.
( Cronicas do centro - Thiago Loreto- 31/06/16- dia de chuva em sp)

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Tanto mar



tanto mar
que me falta amar
como amarelo do sol
com o raiar do som
a te achar
tanto mar
que quero te amar
e se falta algo
pra falar
é que tu fazes falta
tanto mar
que espero
que oxalá
os dias passem rapido
a falta nao faça falta
porque logo
vamos nos encontrar

caracas



en las calles de caracas
hay muchas caras
y la cara 
de Bolívar 
el libertador
son las calles.
(2/3/16)

revisitando


como disse Leminski
eu também disse
poesia
é tudo que não existe

e resiste ( 10/03/16)

Herança




Herança de capitão do mato
a polícia faz o cidadão de gato e sapato
Botinada que abre a porta do barraco
sem ter nenhum mandato.
Mandado pelo Estado
que o patrão pagou
que a merenda roubou
mas o trabalhador pagou.
rede globo faz a gente de bobo
leva repórter lá no morro
falando que o a culpa é do povo
por jogar lixo no esgoto
que caminhão de lixo nenhum
sobe lá na quebrada.

Herança do capitão do mato
a gente conhece o Estado
na sola do sapato
chutando a porta do barraco.
   (28/03/15)