terça-feira, 30 de agosto de 2011
(MUN)danças
Estou de mudança.
Levo assombrosas lembranças,
guardadas em malas sem esperança,
impondo futuros e vinganças.
me vejo em andanças.
sinto braços que me acalantam,
percebendo-os na dança,
mas por só olhar, me cansam.
Estou de mudança.
levando sonhos e sangue,
pedindo futuras lembranças,
guardados em malas distantes.
( Loreto, 30/08/11)
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Dia a dia;
Acordo para tomar café e bebo Vinicius,
que poe as xicaras ao modo Cecilia,
que tranquila distrai nos com Joao da Vila.
No almoço é Clarice que levanta Bandeira,
para que Manoel trouxesse um disco de Noel,
que Gullar o devora perto da lareira.
De Tarde para noite, Rodrigues nos serve Ventura com bolachas,
para que como traças,Ubaldo devore as bolachas,
lembrando de Drummond e Scliar
Anoite é Lara Resende que me cobre,
e dormente tenho sonhos com Holanda, que Sabino sabe que não sonho mais.
( Loreto,11/08/11)
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Sexo em Moscou
Ricardo Cammarota
Pela sua marighelazinha já ficando molhada
Ela teve medo e recuou na resitência:
- Stálin! Stálin!
Mas depois deu uma olhada
Viu meu sputinik pronto a entrar em órbita
Exclamou feliz da vida:
- Que vara! Que vara!
- Que nikita mais krutschev!
Eu era o sessenta
Ela era lunática rainha lunik 9
Me sentia como se estivesse dando um cheque-mate
o próprio Karpov
E por não ser nem fidel e nem castro
Lambi sua rosa de luxemburgo
E a linda bolchevique geminha tesudinha:
- Ai língua de seda,
Maravilhosa,
Me lenine toda, meu bem
Me lenine toda,
Todinha!
Arranhava minhas costas com suas unhas de mil caranguejos
E sussurrava entre beijos:
- Marx! Marx!
E o colchão de molas rangia:
- Mao tse tung! Mao tse tung!
Me chamou de seu tesão
Maiokovsky do sertão
Engels azul do meio dia
Poeta do real
Sua fantasia
Olhou-me nos olhos e disse:
- Tú és o meu Brejnev!
E ficamos por um tempão
Deitados no colchão de neve
E nos amávamos
Esperando o intervalo
Entre uma e outra greve
Trotsky! Ela tinha uma bezerra gregoriana
Que deixava lamarcas
E quando o êxtase atingiu ao seu máximo Gorki
Quando estava prestes a acontecer um orgasmo dissidente
Sussurou rangendo os dentes
- Chove dentro de mim,
Chove, chove,Gorbatchev!"
( MANO MELO)
quinta-feira, 14 de julho de 2011
muestramelos
( Ricardo Cammarota)
Hacia tiempo que mi boca no via otra,
mas esta es otra boca que me encuentra,
pero, boca una boca que me "atormenta" y me flota.
He encontrado la lengua perfecta,
que es hecha para mi tormenta.
Flota como hoja en el cielo,
boca como poca no rota,
toda bella como ninguna otra,
He encontrado en ti,
una muchacha loca, que me encanta.
( LORETO, Thiago 14/07/11)
Hacia tiempo que mi boca no via otra,
mas esta es otra boca que me encuentra,
pero, boca una boca que me "atormenta" y me flota.
He encontrado la lengua perfecta,
que es hecha para mi tormenta.
Flota como hoja en el cielo,
boca como poca no rota,
toda bella como ninguna otra,
He encontrado en ti,
una muchacha loca, que me encanta.
( LORETO, Thiago 14/07/11)
domingo, 10 de julho de 2011
O Amor venceu a guerra
" O amor, o amor versus a guerra.
O amor, versus a guerra.....
E bem mais fácil, guardar rancor, e bem mais fácil que dizer que perdoou.
Da mais ibope, chama a atenção, mas faz mal pro coração."
O amor, versus a guerra.....
E bem mais fácil, guardar rancor, e bem mais fácil que dizer que perdoou.
Da mais ibope, chama a atenção, mas faz mal pro coração."
domingo, 26 de junho de 2011
à nós!
"Fui assassinado.
Morri cem vezes
e cem vezes renasci
sob os golpes do açoite.
Meus olhos em sangue
testemunharam
a dança dos algozes
em torno do meu cadáver.
Morri cem vezes
e cem vezes renasci
sob os golpes do açoite.
Meus olhos em sangue
testemunharam
a dança dos algozes
em torno do meu cadáver.
Tornei-me mineral
memória da dor.
Para sobreviver,
recolhi das chagas do corpo
a lua vermelha de minha crença,
no meu sangue amanhecendo.
Em cinco séculos
reconstruí minha esperança.
A faca do verso feriu-me a boca
e com ela entreguei-me à tarefa de renascer.
Fui poeta
do povo da noite
como um grito de metal fundido.
Fui poeta
como uma arma
para sobreviver
e sobrevivi.
do povo da noite
como um grito de metal fundido.
Fui poeta
como uma arma
para sobreviver
e sobrevivi.
Companheira,
se alguém perguntar por mim:
sou o poeta que busca
converter a noite em semente,
o poeta que se alimenta
do teu amor de vigília
e silêncio
e bebeu no próprio sangue
o ódio dos opressores.
Porque sou o poeta
dos mortos assassinados,
dos eletrocutados, dos “suicidas”,
dos “enforcados” e “atropelados”,
dos que “tentaram fugir”,
dos enlouquecidos.
Sou o poeta
dos torturados,
dos “desaparecidos”,
dos atirados ao mar,
sou os olhos atentos
sobre o crime.
Companheira,
dos mortos assassinados,
dos eletrocutados, dos “suicidas”,
dos “enforcados” e “atropelados”,
dos que “tentaram fugir”,
dos enlouquecidos.
Sou o poeta
dos torturados,
dos “desaparecidos”,
dos atirados ao mar,
sou os olhos atentos
sobre o crime.
Companheira,
virão perguntar por mim.
Recorda o primeiro poema
que lhe deixei entre os dedos
e dize a eles
como quem acende fogueiras
num país ainda em sombras:
meu ofício sobre a terra
é ressuscitar os mortos
e apontar a cara dos assassinos.
é ressuscitar os mortos
e apontar a cara dos assassinos.
Porque a noite não anoitece sozinha.
Há mãos armadas de açoite
retalhando em pedaços
o fogo do sol
e o corpo dos lutadores.
Venho falar
pela boca de meus mortos.
Sou poeta-testemunha,
poeta da geração de sonho
e sangue
sobre as ruas de meu país.
Sobreviveremos
Perdemos a noção do tempo.
A luz nos vem da última lâmpada,
coada pela multidão de sombras.
A própria voz dos companheiros tarda,
como se viesse de muito longe,
como se a sombra lhe roubasse o corte.
Nessa noite parada sobrevivemos.
Ficou-nos a palavra, embora reprimida.
Mas o murmúrio denuncia que a vitória
não foi completa. Dobra o silêncio
e envia o abraço de alguém
cujo rosto nunca vimos e, todavia, amamos.
Nessa noite parada sobrevivemos.
Sobreviveremos.
Ficou-nos a crença, de restocujo rosto nunca vimos e, todavia, amamos., inestinguível,
na manhã proibida."
Nessa noite parada sobrevivemos.
Sobreviveremos.
Ficou-nos a crença, de resto, inestinguível,
na manhã proibida."
( PEDRO TIERRA, O PRÓLOGO)
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