terça-feira, 7 de julho de 2020
devaneios
- era como se o rio fosse uma serpente, uma serpente gigante que cortasse toda cidade e desaguasse em vários lugares como se fossem filhos e filhas. Cabuçu, Piratininga, tiete e amazonas, são um desses filhos e filhas deixados para nós cuidarmos e criarmos, destes filhos chegariam nossa comida,nossa água para limpar,nossa vida. As anhumas se empoleiravam nas suas beiras para comer e depois rasgar o céu para os picos dos morros nhangussu de todas as cidades. Nossos meninos e meninas passavam o dia em volta de suas águas sem roupas brincando e se lambuzando com as frutas que caiam de pencas no chão. Nós observávamos de longe, sempre com alguém de olho para que a jaguatirica não se aproximasse para se alimentar de nossas crias. Outros caçavam teivgvacu para que tivesse alimentação para todo nosso grupo. A vida era assim, depois veio a borboleta gigante como nossos avós um dia nos disseram, eles nos levariam ao paraíso, nos levaria para terra que não havia doença, frutas e brincadeiras a vontades, entretanto, nossos avós não diziam que karaiba vinha junto trazendo com ele tudo de ruim que pudéssemos ver. E hoje estamos assim, esperando, lutando, recriando e ficando vivos para que um dia nossos ancestrais viessem nos buscar vivos ou mortos.
- por que nos esquecesse, eu pergunto. E só o silencio e vazio que nos responde.
Obrigado Professor Casé Angatu Xukuru Tupinambá. Obrigado Instituto Bixiga. Conhecimento é poder, conhecimento é transformação.
terça-feira, 5 de maio de 2020
da violência que a gente deseja
Autor desconhecido
Vocês não vão acreditar na história que ouvi hoje..
Meu amigo estava no centro de Guarulhos ontem a noite pra comprar umas coisas ,nisso ele foi abordado por um cara e uma mina,eles o seguiram até ali perto da rua do sindicato dos metalurgicos, perto da delegacia o enquadraram viram que não tinha nada de valioso pra roubar ai a menina que estava assaltando lascou um beijo na boca dele e disse que pelo menos roubaria o seu coração e foi embora.
Essa bandidagem está fogo, sé loco. Ahhaha
Da violencia que a gente deseja para o poetinha Juliano Lourenço
Vocês não vão acreditar na história que ouvi hoje..
Meu amigo estava no centro de Guarulhos ontem a noite pra comprar umas coisas ,nisso ele foi abordado por um cara e uma mina,eles o seguiram até ali perto da rua do sindicato dos metalurgicos, perto da delegacia o enquadraram viram que não tinha nada de valioso pra roubar ai a menina que estava assaltando lascou um beijo na boca dele e disse que pelo menos roubaria o seu coração e foi embora.
Essa bandidagem está fogo, sé loco. Ahhaha
Da violencia que a gente deseja para o poetinha Juliano Lourenço
quinta-feira, 26 de dezembro de 2019
ainda assim
ainda que os tiranos nos matem
ainda que a máquina repita
o apito do trem desgovernado
de um governo governado por patos
e o fardo seja mais pesado que possamos aguentar
nós seguimos sorrindo
mesmo que o dinheiro seja pouco
e o trabalho as vezes oco
vamos pouco a pouco
construindo um mundo novo
e seguimos sorrindo
apesar de eles querem comprar nossa classe
e por vezes conseguir
e comer caviar
enquanto a gente come mani
nós seguimos
um dia a maré volta
Ésú encontra a porta
a gente acerta o eixo
quebra o queixo
de quem achou
que a gente não tinha jeito
ps: Feliz aniversário Fernanda Varella
ela vem
Ela vem
Lenta como o tempo
talhada de sentimento
Turbilhao sem medo
Ela vem
vendo a vida passar
E a morte perdurar
Manchada de suor ,lagrimas e sangue
ainda que morramos pelo teu nome
Filha de Adonis
Rapida como uma maria fumaça
Desfarsada de novidade ou desgraça
Ela vem
carregando teu cheiro penetrante
seu sentimento contagiante
cercada de amor, choro e sangue
Festa e alegria
Polvora e rebeldia
sexo sem camisinha
Ela ja foi há 100 anos
Antes ainda carregando
No ventre um mundo novo
cada hora que passa
ela ganha corpo
no coração do amante
apaixonado pela vida
pela terra prometida
mas roubada para poucos
no sonho da mulher
que só quer ser respeitada
perfumada pelo novo despertar
Ela demora mas vem
nao esperemos sentado
o cavalo alado de sonhos nos espera
Levantemos vela
o encouraçado esta na janela
do horizonte,
distante mas nao esquecido
ela nos espera no front
rezando pelos nossos mortos
que se foram primeiro
benzendo nossos vivos
que ja estão a caminho
A Revolução demora
mas vem.
quarta-feira, 20 de novembro de 2019
como se o mundo fosse acabar
acordei hoje sabendo
que posso morrer amanha
atropelado por um caminhão
numa cama por depressão
por alguém com arma na mão
que posso morrer amanha
atropelado por um caminhão
numa cama por depressão
por alguém com arma na mão
os dias passam apressados
atropelados entre o vão e a plataforma
a vida e a tela do celular
atropelados entre o vão e a plataforma
a vida e a tela do celular
todo dia é uma guerra
que a gente perde e ganha
comemore com os seus
comemore com a sua
mesmo que seja derrota
A vida não é só vitória
que a gente perde e ganha
comemore com os seus
comemore com a sua
mesmo que seja derrota
A vida não é só vitória
arme se
ame
como o mundo fosse acabar por inteiro
ame
mas se ame primeiro
ame
como o mundo fosse acabar por inteiro
ame
mas se ame primeiro
terça-feira, 27 de agosto de 2019
aqui jazz vidas
as casas estão cheias de grades,
já é tarde pra nossa liberdade,
As ruas e parques estão vazias
Aqui jazz vidas
diz o cartaz na avenida.
Vende se sonhos
Pelo facebook
E a gente se ilude
com tanta saúde
que desce pro ralo
cada galho de arvore cinza
Sera nossa cinza.
Na rede é tudo kkk
É a nova kkk
o poeta diz uma vez
A gente repete pra gravar.
Compra se couro de trabalhador
A fila
O fela
O filho dele quer ser embaixador
ele não
ele não
mas quem então?
É noix
Organizado ou não
que muda esse mundão.
a poesia é
a poesia foi
A poesia esta Proibida
em grande parte da America Latina
a gente desanima
se anima
se vira na rima
na métrica
na festa
na guerra
que as palavras
pulam da cabeça
acessa pela revolta
pelo amor que nos une
quando a gente se reune
pra lembrar da vida que passou
E o que virá
Enquanto o barco da vida não vira
Eu remo
até a ultima gota de poesia acabar.
segunda-feira, 22 de julho de 2019
(aMOR)TE da cachorra vaca
(aMOR)TE da cachorra vaca
Você latia e pulava no colo de todo mundo toda vez que qualquer pessoa chegasse em casa, não importava quem, era como se fosse oi gente, to aqui. Durante quase 17 anos essa polemica. Era alguém chegar em casa que você fazia isso. Amou e teve ciumes de quem fosse que passasse muito tempo no quarto, era chegasse de manha e a porta estivesse fechada e ela queria entrar, e se não entrasse fazia graça, cagava pra fora do jornal, mordia o pé do sofá, minha mãe gritava lá da cozinha " mel sua vaca, some da minha frente" e a gente já sabia que tinha relação com merda ou com você pulando a janela, bom, para quem não sabe, sua juventude canina foi de pular a janela de medo, da minha mãe ou da furadeira, na verdade não importa, o que importa mesmo é que era a janela do segundo andar.
Um dia você parou de latir e cumprimentar as pessoas, era as vezes um cheirinho para cá, uma olhada pra la, e eu de alguma forma já sabia . Outro dia você jã não enxergava muito bem e nem escutava direito, mas ainda assim a gente gritava: "alguém tira a mel do banheiro que ela ta bebendo água do box", acho que ela bebia essa água porque bebia nossa vida que era lavada todo dia no chuveiro, entre angustias e amores,entre sonhos e revoltas. Outro dia não teve jeito, a gente teve que levar ela no veterinário, popular claro, sabe esses de universidade...barato, o medico demorou metade de um dia para dizer o que eu já sabia, que ela tinha câncer e que eu teria que gastar o que eu não tinha para tirar o que para mim era uma bola de gude na sua tetinha, essa bola virou um limão que cheirava azedo e depois uma bola de sinuca e foi ai que a Juliana me indicou a doutora Jessica, pensei comigo numa arrogância que dizem ser dos Arianos, mas na verdade é minha mesmo, Doutora uma porra, não tem Doutorado, e o melhor para mel e pior(ou melhor pra minha arrogância) ela tinha ou estava fazendo, e nunca ligou por eu não a chamar de Doutora Jessica e sim de Jessica, vai ver é isso, quem tem títulos demostra na prática e não na arrogância( toma essa trouxa- arrogante) já fui sabendo que não podia pagar e paguei, paguei tudo que eu não tinha porque era você mel, bibo, minha filha, minha mãe, minha irmã, minha cuidadora, porque era ela quem cuidava da gente e não a gente dela. Mesmo depois da cirurgia ela tinha a mesma mania de anos de enquanto eu estava sentado no quarto, lá da sala entre a mesa do computador ela me olhava e ficava la por horas, eu escrevia, soprava horas de harmônica, lia e ela ficava la submersa no olhar, perplexa com o tempo que eu gastava em fazer um milhão de coisas e ela num único ato, observar. Eu tinha mania de inventar histórias para todo mundo, sobretudo para o Gustavo, meu sobrinho, sobre você ser uma cachorra agente secreta, ex membro da KGB e veterana da segunda guerra mundial, ganhadora de medalhas de honras pela URSS, premio Lenin e os caraio e que você estava em casa apenas para ser espiã e não ser encontrada e quando a gente dormia, você realizava algumas missões secretas.Quando a gente recebeu os exames pós cirurgia eu só queria saber o tempo, mas mesmo a Rebeca, recepcionista da clinica sabendo mais o menos nunca me disse, nem a Jessica, mas entre a troca de olhares a gente já sabia, pelo trato humanizado todo mundo sabia, inclusive eu, mas la no fundo não acreditava. Um dia você não levantou mais, não observava mais, não fazia mais suas missões secretas, não bebia mais água do box nem qualquer outra coisa, aquele olhar profundo já era um grande olhar cinzento e negro como o universo. Talvez tenha sido por isso que você chorava e a gente fazia carinho até você dormir, como era há 17 anos atras quando você chegou e dormia numa caixa de papelão e dormia no nosso colo. A água do box ainda está lá, a janela, o buraco no sofá que você cavou para dormir dentro, só você que não. Você virou alimento para vida, pó-poesia da minha vida e poeira estelar.
Evóe bibinho, melzinha, a gente secreta da URSS.Até outro dia.
Ps: a Mel morreu 1/7/19 e foi cremada na Pedra Roxa, lugar de celebração de todo bairro.
Assinar:
Postagens (Atom)




